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Swing na serra

2 de outubro de 2026 2 min de leituraPor BonecaHot
Casais

Fazia anos que eu e o Marcelo falávamos disso na cama, de brincadeira. "E se a gente fosse numa casa de swing?" Ríamos, inventávamos histórias, e a conversa terminava sempre do mesmo jeito: com a gente se agarrando, excitados com a ideia, mas sem coragem de tirar do papel.

Até que ele apareceu com duas passagens para Gramado e a reserva de uma pousada que eu não conhecia. Quando fui pesquisar, quase caí da cadeira: era uma pousada só para casais liberais.

— A gente só vai olhar — ele prometeu. — Se você não quiser nada, a gente não faz nada. A regra é sua.

A pousada era linda: lareira, vinhos, jardim com aquecimento, gente educada e bonita. Na primeira noite, teve um jantar no salão principal, e lá conhecemos a Carol e o André, um casal de Curitiba, casados havia doze anos, simpáticos e engraçados. A conversa fluiu como se a gente se conhecesse havia décadas.

— Primeira vez de vocês? — a Carol perguntou, com um sorriso maternal.

— Tão óbvio assim? — respondi, envergonhada.

— Você está segurando a mão dele com tanta força que os dedos estão roxos.

Rimos todos. E a mão relaxou. Depois do jantar, fomos os quatro para a área da lareira, com mais uma garrafa de vinho. A Carol sentou perto de mim no sofá. O André e o Marcelo conversavam sobre futebol, mas olhavam para nós o tempo todo.

— Sabe qual é o segredo? — a Carol disse, baixinho. — Não ter pressa. E combinar tudo antes. O que pode, o que não pode.

— E o que vocês combinam?

— Que a gente sempre volta para casa juntos. Que nada acontece sem os dois quererem. E que o ciúme fica do lado de fora da porta.

Ela colocou a mão no meu joelho. Olhei para o Marcelo, do outro lado da sala. Ele me olhava com uma mistura de nervosismo e desejo que eu nunca tinha visto. Fiz um sinal de cabeça, quase imperceptível. Ele sorriu.

Naquela noite, a gente subiu para a suíte da Carol e do André, os quatro. Combinamos tudo na porta, como ela tinha ensinado. O que veio depois foi suave, divertido, cheio de risadas e de olhares de cumplicidade entre mim e o Marcelo. Em nenhum momento eu senti que estava perdendo meu marido. Senti o contrário: que nunca tinha estado tão perto dele.

Voltamos para o nosso quarto de madrugada, de mãos dadas pelo corredor. Ele me abraçou na cama e perguntou baixinho:

— E aí? Foi como você imaginava?

— Não. Foi melhor.

Voltamos para Gramado no inverno seguinte. A Carol e o André também.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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