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Reencontro de turma

24 de setembro de 2026 2 min de leituraPor BonecaHot
Romance

O convite chegou pelo WhatsApp: "Reencontro da turma de 2005! Vinte anos de formados!" Quase não fui. Divorciada havia um ano, sem muita paciência para ver os colegas de escola mostrando foto de filho e falando de financiamento. Mas a minha melhor amiga insistiu, e lá fui eu, de vestido preto e salto alto, para um bar alugado na Vila Madalena.

Reconheci quase todo mundo. O Fabinho, que era o palhaço da sala, agora era careca e gerente de banco. A Patrícia, a mais popular, estava com quatro filhos. E no canto do balcão, com um copo de uísque na mão, estava o Lucas.

O Lucas era o garoto mais tímido da turma. Magrinho, de óculos, sentava no fundo da sala e corava quando a professora chamava o nome dele. Eu sabia que ele gostava de mim. A escola inteira sabia. Ele nunca teve coragem de dizer nada.

Mas o homem no balcão não tinha nada daquele menino. Ombros largos, barba grisalha bem aparada, camisa de linho dobrada no antebraço e um olhar seguro que me encontrou do outro lado do salão.

— Beatriz Nogueira — ele disse, quando eu me aproximei. — Você continua linda.

— E você... mudou bastante.

— Vinte anos de terapia, academia e coragem. — Ele riu. — Você me deve uma dança, sabia? Da festa de formatura. Eu passei a noite inteira tentando te chamar.

— E por que não chamou?

— Porque eu tinha dezessete anos e achava que ia morrer se você dissesse não.

— E agora?

— Agora eu não ligo de ouvir não. — Ele estendeu a mão. — Dança comigo?

O DJ estava tocando músicas de 2005, aquelas que todo mundo sabia de cor. Começou uma lenta, dessas de baile de formatura, e ele me puxou para a pista com uma firmeza que o Lucas de dezessete anos nunca teria tido. Encostou o rosto no meu e me conduziu devagar.

— Sabe quantas vezes eu imaginei isso? — ele sussurrou.

— Imaginou só a dança?

Ele se afastou um pouco para me olhar nos olhos. O menino tímido ainda estava lá, em algum lugar, no rubor que subiu pelo pescoço dele.

— Não. Não só a dança.

Saímos do reencontro antes do bolo. Os colegas devem ter comentado por semanas. No apartamento dele, ele me mostrou uma foto antiga da turma, guardada numa gaveta, com um círculo de caneta em volta do meu rosto.

— Eu guardei isso por vinte anos.

— Que bom que você guardou — respondi, tirando os óculos dele, como eu queria ter feito na escola.

Naquela noite, ele recuperou com juros todas as oportunidades que tinha perdido. E eu descobri que o menino tímido do fundo da sala tinha virado o homem mais atencioso que já passou pela minha vida.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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