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Noite de núpcias de verdade

17 de agosto de 2026 2 min de leituraPor BonecaHot
Romance

Eu e o Samuel nos conhecemos na igreja e fizemos uma promessa: esperar até o casamento. Dois anos de namoro, beijos que paravam no limite, mãos que ficavam onde deviam ficar e muitas noites terminando com um banho frio, das duas partes.

No dia do casamento, eu mal consegui prestar atenção no padre. Só pensava no que viria depois. A festa foi linda, a valsa foi emocionante, e às duas da manhã a gente entrou na suíte nupcial do hotel, finalmente sozinhos, finalmente casados.

Ele fechou a porta e encostou nela. Eu fiquei parada no meio do quarto, de vestido de noiva, com o coração disparado. A cama estava coberta de pétalas de rosa vermelhas e tinha uma garrafa de espumante no balde de gelo.

— E agora? — eu disse, rindo de nervoso.

— Agora eu não sei por onde começar — ele admitiu, também rindo. — Dois anos esperando e eu esqueci tudo que planejei.

— Começa pelo vestido. Tem cinquenta botões nas costas.

— Cinquenta?

— Cinquenta e dois, para ser exata.

Ele veio até mim, me virou de costas e começou a abrir os botões, um por um, devagar. A cada botão, um beijo na pele que ia aparecendo. Na nuca. Entre as escápulas. No meio das costas. Eu fechei os olhos e me apoiei na cômoda, com as pernas tremendo.

— Você sabe há quanto tempo eu quero fazer isso? — ele sussurrou, no botão trinta e pouco.

— Desde o primeiro encontro?

— Desde a primeira vez que te vi cantando no coral.

No último botão, o vestido caiu no chão como uma nuvem de renda. Por baixo, eu estava com uma lingerie branca que tinha comprado escondida da minha mãe, num shopping do outro lado da cidade. Ele ficou um tempo me olhando, sem dizer nada, com os olhos marejados.

— Valeu a pena esperar — ele disse.

— Ainda não. A espera ainda não acabou.

Eu tirei o paletó dele, a gravata, a camisa. Dois anos imaginando aquele momento, e as minhas mãos tremiam mais do que as dele. A gente se deitou nas pétalas de rosa, desajeitados, rindo, nervosos, descobrindo tudo pela primeira vez. Não foi perfeito como nos filmes. Foi melhor, porque foi nosso, com todas as pausas, risadas e cuidados que dois anos de espera ensinam.

De manhã, as pétalas de rosa estavam espalhadas pelo quarto inteiro, coladas nas costas dele, no meu cabelo, no chão. O espumante continuava fechado no balde, a água do gelo já morna.

— A gente esqueceu de brindar — ele disse.

— A gente brinda agora — respondi, puxando ele de volta para a cama. — Mas depois.

A lua de mel durou duas semanas. Saímos do quarto poucas vezes. Valeu cada dia de espera.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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