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Primeira noite da lua de mel

22 de junho de 2026 2 min de leituraPor BonecaHot
Casais

Eu e o Matheus namoramos três anos e decidimos esperar até o casamento. Era uma escolha nossa, conversada, cheia de vontade guardada. Às vezes era difícil. Muito difícil. Havia noites em que a gente se despedia na porta de casa com um beijo que durava meia hora e a respiração dos dois descompassada.

— Falta pouco — ele dizia, encostando a testa na minha.

— Falta muito — eu respondia.

Casamos num sábado de sol, numa capela pequena em Gravatá. A festa foi até as três da manhã. No domingo, pegamos o avião para Porto de Galinhas e chegamos ao resort no fim da tarde. Bangalô à beira-mar, piscina privativa, pétalas de rosa na cama formando um coração.

— Que brega — eu disse, rindo.

— Muito brega — ele concordou, rindo também.

Ficamos os dois parados na frente da cama, de repente tímidos. Três anos esperando e, agora que podia, nenhum dos dois sabia como começar.

— Vamos tomar banho de piscina? — ele sugeriu.

A piscina privativa ficava num deck de madeira, cercada de coqueiros e com vista para o mar. O sol estava se pondo, deixando tudo laranja. Eu coloquei o biquíni branco que tinha comprado especialmente para aquela viagem. Quando saí do banheiro, ele já estava na água, e parou de nadar quando me viu.

— Você é a coisa mais bonita que eu já vi — ele disse.

Entrei na piscina devagar. A água estava morna. Ele nadou até mim e me abraçou, e eu senti o coração dele batendo forte no meu peito. O beijo foi diferente de todos os outros, porque desta vez não tinha despedida no fim.

— Eu estou nervoso — ele confessou, rindo baixinho.

— Eu também.

— Então a gente vai devagar.

E a gente foi devagar. Primeiro na piscina, com o céu ficando roxo e as primeiras estrelas aparecendo. Ele desamarrou o laço do biquíni com dedos que tremiam um pouco. Eu ri do nervosismo dele e ele riu do meu. Depois, na cama de pétalas, que já não parecia tão brega. Ele me olhava como se não acreditasse, e me perguntava, baixinho, se estava tudo bem. Estava. Três anos de vontade guardada viraram uma noite inteira de descoberta.

De madrugada, a gente estava deitado no deck da piscina, enrolados numa toalha, olhando as estrelas.

— Valeu a pena esperar? — ele perguntou.

— Valeu. Mas agora a gente vai recuperar o tempo perdido.

A lua de mel durou dez dias. A gente conheceu pouquíssimo de Porto de Galinhas. O passeio de jangada nas piscinas naturais foi adiado quatro vezes. A camareira começou a deixar o café da manhã na porta sem bater. E as pétalas de rosa foram substituídas todo dia, porque toda manhã elas estavam espalhadas pelo chão do bangalô inteiro.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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