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O voucher dourado

17 de maio de 2026 3 min de leituraPor BonecaHot
Fantasias

O voucher veio num envelope dourado, no café da manhã do meu aniversário. "Massagem a quatro mãos — Spa Ayurveda — 2 horas". O Paulo me entregou com um sorriso que eu não entendi.

— Quatro mãos? — perguntei.

— Duas terapeutas ao mesmo tempo. Dizem que é a melhor experiência da vida.

O spa ficava num casarão em Higienópolis, com cheiro de incenso, música indiana baixinha e fontes de água por todo lado. As duas terapeutas se chamavam Priya e Clara. A Priya era indiana, de pele morena e olhos enormes. A Clara era loira, alta, de braços fortes. As duas de branco, descalças, com sorrisos serenos.

— Pode tirar a roupa e deitar de bruços — a Clara disse. — Fique à vontade. A gente volta em dois minutos.

Deitei na maca, só com uma toalha cobrindo os quadris. A sala era escura, iluminada por velas. Quando elas voltaram, começaram em silêncio. A Priya nos ombros, a Clara nos pés. Óleo morno com cheiro de sândalo. Quatro mãos se movendo em sincronia perfeita, como se fossem uma só pessoa com o dobro de mãos.

No começo, eu tentava acompanhar. Onde estava cada mão. Mas depois de dez minutos, desisti. Não dava mais para saber. Era como se o meu corpo inteiro estivesse sendo tocado ao mesmo tempo, em todos os lugares, e eu fui afundando na maca, relaxando músculos que nem sabia que existiam.

— Respire fundo — a Priya sussurrou. — Deixe o corpo falar.

O corpo falava. Falava muito. Cada vez que as mãos delas subiam pelas minhas pernas, desciam pelas minhas costas, deslizavam pelos meus braços, eu sentia um arrepio que começava na nuca e terminava nos dedos dos pés. Era uma massagem profissional, respeitosa, sem nada de errado. Mas meu corpo não estava entendendo isso.

— Pode virar, por favor — a Clara pediu, segurando a toalha.

Virei. A toalha cobria o necessário. Elas trabalharam o meu pescoço, o meu rosto, os meus braços, a minha barriga. Quatro mãos sincronizadas, lentas, quentes de óleo. Eu estava de olhos fechados, respirando fundo, com um calor que subia sem parar.

Quando a massagem terminou, as duas saíram em silêncio e me deixaram sozinha na sala escura, com uma xícara de chá e uma vela. Eu fiquei deitada mais dez minutos, sem conseguir levantar. As pernas tremiam.

O Paulo estava me esperando na recepção, lendo uma revista.

— E aí? — ele perguntou, com aquele sorriso.

Eu não respondi. Peguei a mão dele e o puxei para fora do spa, direto para o carro. Ele riu o caminho inteiro.

— Foi tão bom assim?

— Cala a boca e dirige.

Em casa, eu nem deixei ele fechar a porta direito. Ele ainda estava rindo quando eu o empurrei no sofá. Duas horas de massagem tinham acordado cada centímetro do meu corpo, e ele foi quem teve que lidar com as consequências.

— Era esse o plano? — eu perguntei, muito depois, deitada no tapete da sala.

— Desde o começo — ele confessou. — Minha irmã fez essa massagem no ano passado. Meu cunhado disse que foi o melhor investimento da vida dele.

Hoje a massagem a quatro mãos é tradição. Uma vez por ano, no meu aniversário. O Paulo sempre me espera na recepção. Sempre com aquele sorriso.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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