A massagem que passou do ponto
Meu marido me deu de aniversário um voucher para um spa. "Você anda muito tensa", ele disse, e tinha razão: trabalho, filhos, contas. Fui sem expectativa nenhuma, achando que seria uma hora de música relaxante e cheiro de lavanda.
A massagista se chamava Alice. Morena, cabelo preso num coque bagunçado e mãos pequenas, mas firmes. A sala era pouco iluminada, com velas e uma música instrumental baixinha. Ela pediu que eu tirasse a roupa e me deitasse de bruços, coberta só por uma toalha branca na altura do quadril.
— Pode relaxar. Aqui o tempo é todo seu — ela disse, aquecendo o óleo entre as mãos.
As primeiras pressões nos ombros me fizeram gemer de alívio, e eu fiquei com vergonha. Ela riu baixinho.
— Pode gemer. É sinal de que está funcionando.
Ela foi descendo. Costas, lombar, a curva da cintura. As mãos deslizavam com o óleo morno e cada vez mais devagar. Quando chegou nas coxas, eu já estava de olhos fechados, respirando fundo, completamente entregue.
— Você guarda muita tensão aqui — ela comentou, subindo a mão pela parte interna da minha coxa, sem pressa. — Quer que eu continue?
Eu sabia o que ela estava perguntando. Ela também sabia que eu sabia. Abri os olhos e virei o rosto para ela.
— Continua.
— Vira de frente, então.
A toalha escorregou quando eu virei, e nenhuma das duas fez questão de arrumar. Alice passou mais óleo nas mãos e começou pelos meus ombros de novo, agora olhando nos meus olhos. Desceu pelo colo, pela barriga, devagar, como quem tem todo o tempo do mundo. A música continuava tocando, mas eu já não escutava mais nada além da minha própria respiração.
— Seu marido sabe que você gosta disso? — ela sussurrou.
— Ele vai saber quando eu chegar em casa — respondi, puxando o rosto dela para perto.
Foi a primeira vez que eu beijei uma mulher. Tinha gosto de hortelã e de liberdade. O resto da sessão não teve nada de terapêutico no sentido tradicional, mas eu saí daquela sala mais leve do que tinha entrado em muitos anos.
Em casa, contei tudo para o meu marido, cada detalhe, deitada no peito dele. Ele ouviu em silêncio, com os olhos arregalados, e no final só perguntou:
— Esse spa aceita casal?
Aceita. Já marcamos para o mês que vem. A Alice disse que vai preparar uma sessão especial para dois.
Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.
