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O vestido de festa

15 de maio de 2026 2 min de leituraPor BonecaHot
Casais

O casamento da minha prima era às oito. Eu comecei a me arrumar às cinco e meia. Cabelo, maquiagem, unhas. O vestido era longo, de cetim verde-esmeralda, com uma fenda até o meio da coxa e as costas inteiras de fora. Tinha custado uma fortuna e eu tinha prometido para mim mesma que ia ser a convidada mais bonita da festa.

Às sete e meia, eu estava pronta. Calcei o salto, coloquei o brinco de pérola, passei o perfume e saí do quarto.

O Leonardo estava na sala, de terno azul-marinho, ajustando a gravata no espelho. Me viu pelo reflexo e parou. A gravata ficou meio torta, pendurada.

— Meu Deus — ele disse.

— Gostou?

— Gostou? — Ele virou devagar. — Mariana, eu não sei se a gente vai conseguir sair de casa.

— A gente vai sair de casa. Estou duas horas me arrumando.

— Eu sei. Estou vendo cada minuto dessas duas horas.

Ele chegou perto, devagar, com aquele olhar que eu conhecia muito bem. Colocou as mãos na minha cintura, sobre o cetim verde. Desceu os dedos pelas minhas costas nuas.

— Leonardo, não. A festa começa em meia hora.

— Festa de casamento nunca começa na hora.

— A maquiagem...

— Eu não encosto no seu rosto.

— O cabelo...

— Eu não encosto no seu cabelo.

— O vestido...

— Ah, o vestido. — Ele sorriu, e beijou meu ombro nu. — O vestido eu prometo tratar com muito carinho.

Eu ri. Tentei empurrar ele. Não empurrei com muita força. A fenda do vestido, que ia até o meio da coxa, se mostrou muito mais prática do que eu imaginava. A parede do corredor serviu de apoio. O salto alto, de repente, me deixou exatamente na altura certa. E ele cumpriu a promessa: não encostou no meu rosto, não encostou no meu cabelo, e tratou o vestido com muito, muito carinho.

Chegamos na igreja às oito e quarenta. A cerimônia já tinha começado. Entramos pela porta lateral, tentando não fazer barulho, e sentamos no último banco. Minha tia virou para trás e me fuzilou com o olhar.

— Por que vocês demoraram tanto? — minha mãe sussurrou, na festa.

— Trânsito — eu disse.

— Trânsito no sábado à noite?

— Muito trânsito.

O Leonardo, do meu lado, tossiu para disfarçar a risada. Eu pisei no pé dele por baixo da mesa.

Na pista de dança, horas depois, ele me puxou para perto e sussurrou:

— Você foi a mais bonita da festa.

— Eu sei. Duas horas de trabalho.

— Duas horas e dez minutos.

— Quinze.

— Valeu cada minuto.

O vestido verde-esmeralda ainda está no meu armário. Usei mais três vezes, em três festas diferentes. Chegamos atrasados nas três.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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