BonecaHot Acompanhantes

O cliente da sexta-feira

12 de outubro de 2026 2 min de leituraPor BonecaHot
Relatos

Trabalho como acompanhante há dois anos e aprendi a ler os homens no primeiro minuto. Uns chegam apressados, outros nervosos, alguns querem só conversar. O Henrique era diferente de todos. Ele marcava toda sexta, sempre às oito, sempre no mesmo hotel, e sempre chegava com uma garrafa de vinho e um livro de poesia na bolsa.

— Hoje eu trouxe Vinicius — ele dizia, ajeitando os óculos. — Você lê para mim?

Eu lia. Ele ouvia de olhos fechados, sentado na poltrona, como se eu fosse a única coisa importante naquela cidade. Depois do vinho e da poesia, vinha o resto, e o resto com ele era sempre lento, carinhoso, cheio de pausas. Eu, que já tinha visto de tudo, me pegava esperando a sexta-feira chegar.

Numa dessas noites, ele chegou sem livro e sem vinho. Sentou na beira da cama, tirou o relógio e me olhou de um jeito diferente.

— Hoje eu quero que você escolha — ele disse. — Tudo. O que vamos fazer, como, em que ordem. Eu só obedeço.

Ninguém nunca tinha me pedido aquilo. Os homens pagavam para ter o que queriam, não para me dar o que eu queria. Fiquei um tempo parada, sem saber se ele estava brincando.

— Tudo mesmo?

— Tudo. Eu passei dois anos aprendendo do que você gosta. Agora quero que você me mostre.

Levantei devagar e fui até o rádio do quarto. Escolhi uma música lenta. Apaguei a luz principal e deixei só o abajur. Depois fiquei na frente dele e mandei, com uma voz que eu nem sabia que tinha:

— Tira a camisa. Devagar. Botão por botão. Olhando para mim.

Ele obedeceu, com um sorriso de quem estava se divertindo. Mandei que ele deitasse. Mandei que ficasse quieto. Mandei que não me tocasse enquanto eu não deixasse. Fui descobrindo, naquela noite, um prazer que não era só do corpo: o prazer de decidir, de ditar o ritmo, de ver um homem bonito e educado se desmanchando de vontade, esperando minha ordem.

— Agora pode — falei, finalmente, depois de uma eternidade.

Ele riu, aliviado, e me puxou para perto. O resto da noite foi meu do começo ao fim, e foi a primeira vez em dois anos que eu esqueci completamente que estava trabalhando.

Na hora de ir embora, ele colocou o pagamento na mesa, como sempre. Mas desta vez deixou um bilhete junto, escrito à mão: "Na próxima sexta, você escolhe de novo." Guardo esse bilhete até hoje, dentro da minha agenda. E ainda leio Vinicius para ele, só que agora a escolha da página também é minha.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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