O casamento da amiga
Eu odiava o Leonardo. O padrinho do noivo, arrogante, convencido, que passou seis meses implicando com cada decisão que eu tomava como madrinha. A cor das gravatas, o horário do ensaio, a música da entrada. Tudo ele achava ruim.
— Você é a pessoa mais controladora que eu já conheci — ele disse, na prova de roupas.
— E você é o mais insuportável.
A noiva, minha melhor amiga, revirava os olhos. "Vocês dois parecem casal brigando", dizia. Eu ficava indignada.
No dia do casamento, entramos juntos no altar, de braço dado, sorrindo para as fotos com os dentes cerrados. Ele estava lindo de terno azul-marinho, e isso me irritou ainda mais. Eu estava de vestido longo verde-esmeralda, e reparei que ele me olhou duas vezes quando achou que eu não via.
Na festa, depois de umas taças de espumante, ele me chamou para dançar. Por educação, para a foto, aceitei. Era uma música lenta, e ele me segurou firme pela cintura.
— Você está linda — ele disse, baixinho.
— Não começa.
— É sério. Estou tentando ser gentil pela primeira vez em seis meses.
— Por quê?
— Porque eu passei seis meses implicando com você para não admitir que eu não consigo parar de pensar em você.
Eu parei de dançar no meio da pista. Ele me puxou pela mão para fora do salão, para o jardim, onde as luzinhas penduradas nas árvores iluminavam um caminho de pedras até um banco escondido atrás das hortênsias.
— Você é muito irritante, sabia? — eu disse, com o coração disparado.
— Você também. — Ele chegou perto. — Mas eu quero muito te beijar.
— Então para de falar.
O beijo foi exatamente como as nossas brigas: intenso, desaforado, ninguém querendo ceder. Ele me sentou no banco, ajoelhou na minha frente e subiu a mão pela fenda do vestido longo. Eu puxei a gravata dele, aquela gravata azul que ele tinha escolhido contra a minha vontade, e descobri que ela era útil para outras coisas além da foto.
Voltamos para a festa quarenta minutos depois, eu com o cabelo meio solto e ele com a gravata no bolso. A noiva olhou para nós dois, olhou para o jardim e caiu na gargalhada.
— Eu sabia! Eu falei que vocês pareciam um casal brigando!
Na hora de jogar o buquê, ela nem fingiu sorteio. Jogou direto na minha mão. O Leonardo, ao meu lado, aplaudiu mais alto que todo mundo. Até hoje a gente briga por tudo. A diferença é que agora as brigas acabam muito melhor.
Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.
