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Hora extra

16 de outubro de 2026 2 min de leituraPor BonecaHot
Encontros

Sexta-feira, sete da noite, e eu ainda estava presa no escritório com um relatório que o diretor queria na segunda logo cedo. O andar inteiro já tinha ido embora. Só sobramos eu e o Thiago, do financeiro, que tinha se oferecido para ajudar com as planilhas porque, segundo ele, "não tinha nada melhor para fazer".

O Thiago era o tipo de colega que fazia o café da firma ficar mais gostoso. Alto, barba bem feita, camisa social sempre com os dois primeiros botões abertos. Havia meses a gente trocava olhares na reunião de segunda e mensagens engraçadas no chat interno que passavam um pouco do limite do profissional.

— Você tem certeza que não tinha nada melhor para fazer numa sexta à noite? — perguntei, enquanto ele se sentava ao meu lado na mesa de reunião.

— Tinha. Mas nenhuma delas era você.

Eu ri, fingindo que era piada. Mas cruzei as pernas na direção dele.

Trabalhamos por uma hora. Ou fingimos. A cada número que ele apontava na tela, o ombro dele encostava no meu. A cada risada, a mão dele parava um pouco mais no meu braço. Quando finalmente terminei o último gráfico, me espreguicei na cadeira e reparei que ele estava me olhando como quem olha a sobremesa.

— Pronto. Missão cumprida — falei. — Te devo uma.

— Deve mesmo. — Ele girou a minha cadeira de frente para a dele. — E eu vou cobrar agora.

— Aqui? Tem câmera, Thiago.

— A câmera da sala de reunião está quebrada há duas semanas. Eu sou do financeiro, eu vi a nota do conserto que ninguém pagou.

O beijo veio sem aviso, e eu correspondi como se estivesse esperando aquilo desde a festa de fim de ano. Ele me levantou da cadeira, empurrou o notebook para o lado com o braço e me sentou na mesa de reunião, aquela mesma onde o diretor fazia seus discursos de metas toda segunda-feira.

— Você sabe o quanto eu já pensei nessa mesa? — ele disse no meu ouvido, abrindo os botões da minha blusa um por um.

— Na reunião de segunda eu não vou conseguir olhar para ela sem rir.

Não sei quanto tempo ficamos ali. Sei que os papéis do relatório acabaram no chão, que a minha meia-calça rasgou e que o segurança do prédio quase nos pegou quando fez a ronda das nove. A gente se escondeu embaixo da mesa, tentando segurar a risada, as roupas pela metade.

Na segunda, o diretor elogiou o relatório na frente de todo mundo. "Excelente trabalho, muito bem feito." O Thiago, do outro lado da mesa, levantou o copo de café para mim. Eu engasguei. E desde então ninguém entende por que nós dois sempre nos oferecemos para fazer hora extra nas sextas.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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