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Nudismo pela primeira vez

6 de julho de 2026 2 min de leituraPor BonecaHot
Fantasias

Foi ideia do Gabriel. Ele tinha lido uma reportagem sobre a Praia do Pinho, em Balneário Camboriú, a primeira praia de naturismo do Brasil, e ficou obcecado. "Imagina a liberdade", ele dizia. Eu imaginava, sim. Imaginava a vergonha.

Mas fomos. Chegamos numa manhã de sábado, com o sol forte e o coração disparado. Na entrada, um senhor simpático explicou as regras: respeito, nada de fotos, nada de olhares invasivos, e todos sem roupa na área da praia.

Na areia, todos estavam nus. Famílias, casais de idosos, grupos de amigos, jovens jogando frescobol. Ninguém parecia se importar. Eu fiquei parada, de biquíni, segurando a canga na frente do corpo.

— E aí? — o Gabriel perguntou, já tirando a bermuda.

— Eu não consigo.

— Consegue. Eu te ajudo.

Ele ficou atrás de mim, desamarrou o laço do biquíni no pescoço, depois o das costas. A parte de cima caiu na areia. Eu cruzei os braços. Ele riu e beijou meu ombro.

— Ninguém está olhando, amor. Olha em volta.

Olhei. Ninguém estava olhando mesmo. Tirei a parte de baixo, rápida, antes de mudar de ideia, e sentei na canga com o rosto pegando fogo. A vergonha durou dez minutos. Depois, uma sensação estranha tomou conta de mim: o sol na pele toda, o vento em lugares que nunca tinha sentido o vento, a água do mar me envolvendo inteira quando eu mergulhei.

— Isso é incrível — eu disse, boiando de costas, olhando o céu.

— Eu falei.

O problema não foi a vergonha. O problema foi outro. Passar o dia inteiro vendo o Gabriel nu, bronzeado, molhado, rindo, e não poder fazer nada, porque as regras da praia eram claras. Ele também me olhava. Eu via o esforço que ele fazia para se comportar, e isso me deixava ainda mais provocadora.

Passei protetor solar nele devagar, demorando nas costas. Pedi que ele passasse em mim, e me deitei de bruços. Fui até o mar e voltei andando devagar, sabendo que ele estava olhando cada passo.

— Você está fazendo de propósito — ele disse, entre os dentes.

— Fazendo o quê? Eu só estou tomando sol.

No fim da tarde, quando a praia esvaziou, a gente se vestiu e voltou para o carro com uma urgência que fez o Gabriel errar o caminho duas vezes. A pousada ficava a dez minutos. Chegamos em sete. Mal entramos no quarto e a roupa, que tinha passado o dia inteiro dobrada na bolsa, voltou a ficar jogada no chão.

— A gente volta amanhã? — ele perguntou, depois, ainda ofegante.

— Volta. Mas vamos embora mais cedo.

Hoje a gente vai para a Praia do Pinho todo verão. Eu não sinto mais vergonha nenhuma. Só aprendi uma lição: nunca se esquece o protetor solar, e nunca se fica até o fim da tarde.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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