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Noite de jogos

21 de maio de 2026 2 min de leituraPor BonecaHot
Casais

Era sábado e a gente estava em casa, de pijama, rolando o celular no sofá havia uma hora. Casados havia cinco anos, eu e o Thiago tínhamos caído naquela rotina de série, pizza e sono. Naquela tarde, numa loja do shopping, eu tinha comprado um baralho de perguntas para casais. Tirei da bolsa e joguei na mesinha de centro.

— O que é isso? — ele perguntou.

— Um jogo. Perguntas. Quem não responde, tira uma peça de roupa.

Ele largou o celular na hora.

— Pode dar as cartas.

As primeiras perguntas eram leves. "Qual foi a primeira coisa que você reparou em mim?" "Qual o lugar mais estranho onde você já pensou em mim?" A gente ria, respondia, se lembrava de coisas que tinha esquecido.

— O seu sorriso — ele respondeu. — E aquele vestido amarelo.

— No consultório do dentista — eu respondi. — Com a boca anestesiada.

Mas as cartas foram esquentando.

"Qual fantasia você nunca contou para o seu parceiro?"

O Thiago ficou vermelho. Olhou para a carta, olhou para mim, e tirou a camiseta.

— Prefiro não responder.

— Covarde.

— Próxima.

"Descreva o que você faria se tivesse cinco minutos sozinho com o seu parceiro num elevador."

Eu sorri, cheguei perto do ouvido dele e descrevi. Em detalhes. Ele ficou quieto um tempão.

— Acho que vou precisar de mais do que cinco minutos — ele disse.

— Isso não é resposta. É comentário.

"Qual parte do corpo do seu parceiro você mais gosta?"

— Essa é fácil — ele disse, e apontou. Eu dei risada e tirei a calça do pijama, porque a resposta tinha sido tão sem vergonha que ele merecia um prêmio.

— Isso não está nas regras!

— Agora está.

Na décima carta, ele estava só de cueca e eu só de calcinha e camiseta. A pergunta era: "Qual foi a melhor noite que vocês tiveram juntos?"

Ficamos em silêncio. Ele pegou a minha mão.

— A primeira noite no nosso apartamento. Sem móveis. Num colchão no chão da sala.

— Com a pizza fria e a janela sem cortina.

— Com a janela sem cortina — ele repetiu, rindo. — E o vizinho da frente acendeu a luz.

A gente ria e se olhava, e eu percebi que fazia muito tempo que a gente não se olhava assim.

— A gente pode superar aquela noite — eu disse.

— Você acha?

— Só tem um jeito de descobrir.

A última carta do baralho ficou sem ser lida. Ela continua lá, na mesinha de centro, virada para baixo. A gente nunca leu. Toda vez que alguém vai pegar, o outro tira uma peça de roupa, e o jogo recomeça.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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