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Na sala do cinema

24 de julho de 2026 2 min de leituraPor BonecaHot
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Era uma sessão de meia-noite de um filme de terror ruim, num cinema de shopping quase fechando. Eu tinha ido sozinha, porque não conseguia dormir e porque às vezes gosto de cinema vazio. Comprei pipoca, um refrigerante e sentei na última fileira, no meio.

A sala estava praticamente vazia. Só eu e um homem que entrou logo depois das luzes apagarem, se desculpou baixinho e sentou duas cadeiras para o lado, também na última fileira. No escuro, só dava para ver que era alto, de jaqueta jeans, e que tinha um perfume bom.

O filme começou e era horrível. Atuações ruins, efeitos baratos, sustos previsíveis. Num desses sustos, eu dei um pulo da cadeira e derrubei metade da pipoca no chão. Ouvi ele rir baixinho.

— Esse susto foi muito fraco para você pular desse jeito — ele sussurrou.

— Eu sou muito medrosa.

— E veio sozinha num filme de terror à meia-noite?

— Gosto de sentir medo.

Ele se mudou para a cadeira do lado.

— Então eu fico aqui para te proteger.

No segundo susto, eu agarrei o braço dele sem querer. No terceiro, de propósito. No quarto, ele colocou a mão na minha coxa, devagar, como uma pergunta. Eu não tirei.

O filme continuava passando na tela, alguém gritando numa casa abandonada, mas eu não estava mais prestando atenção. A mão dele fazia desenhos lentos na minha perna, por cima do jeans, subindo e descendo. Eu me virei para ele no escuro e só consegui ver o contorno do rosto, iluminado pela luz azulada da tela.

— Esse filme é muito ruim — eu sussurrei.

— Péssimo. O pior que eu já vi.

— Quer ver o final?

— Não quero ver nada do filme.

O beijo veio com gosto de pipoca. Ele levantou o braço da poltrona que nos separava e me puxou para perto. A última fileira de um cinema vazio à meia-noite é um lugar surpreendentemente íntimo. Na tela, os personagens morriam um por um, e a gente nem percebeu. A minha blusa ficou meio aberta, a jaqueta dele caiu no chão junto com a pipoca, e eu tive que morder o ombro dele para não fazer barulho quando a mão dele achou o caminho por baixo do jeans.

As luzes acenderam de repente. Os créditos subiam na tela. A gente se separou num pulo, arrumando a roupa às pressas, morrendo de rir. O faxineiro entrou com a vassoura, olhou para nós dois, para a pipoca no chão, e balançou a cabeça.

— Filme bom, né? — ele disse, irônico.

— O melhor do ano — o desconhecido respondeu.

Na saída, ele se apresentou. Chamava-se Igor. Me pediu o telefone. Hoje a gente vai ao cinema toda semana. Sempre sessão da meia-noite, sempre filme ruim, sempre a última fileira. Nunca vimos o final de nenhum.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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