BonecaHot Acompanhantes

Mensagem errada

12 de junho de 2026 3 min de leituraPor BonecaHot
Relatos

Era sexta-feira, seis da tarde, e eu estava no ônibus voltando do trabalho. Fazia duas semanas que eu e o Júnior não nos víamos, por causa de viagens de trabalho dele. Abri o WhatsApp e escrevi a mensagem mais ousada da minha vida. Detalhes do que eu ia fazer com ele quando chegasse em casa, da lingerie que eu tinha comprado, do que eu queria que ele fizesse comigo. Enviei com o coração acelerado.

Dois minutos depois, o celular vibrou. Não era o Júnior. Era o Eduardo. Meu chefe.

"Acho que essa mensagem não era para mim."

Eu quase desmaiei no ônibus. Abri a conversa e lá estava. Minha mensagem, inteirinha, com todos os detalhes, enviada para o meu chefe. O Eduardo e o Júnior ficavam um em cima do outro na lista de contatos, por ordem alfabética, e eu tinha errado por um centímetro.

Apaguei a mensagem para todos, mas os dois tracinhos azuis já estavam lá. Ele tinha lido.

"Desculpa, desculpa, desculpa. Era para o meu namorado. Pelo amor de Deus, esquece isso."

"Já esqueci. Bom fim de semana."

Passei o fim de semana inteiro sem dormir. Na segunda-feira, cheguei ao escritório com vontade de sumir. O Eduardo me chamou na sala dele às dez da manhã. Fechou a porta. Eu sentei na cadeira, olhando para o chão.

— Ana Paula, eu quero que você saiba que eu não vou mencionar isso nunca mais. Você está segura aqui.

— Obrigada. Eu estou morrendo de vergonha.

— Não precisa. — Ele pausou. — Só tem uma coisa.

— O quê?

— O seu namorado é um homem de sorte.

Eu levantei os olhos. Ele estava sorrindo, sem malícia, e foi embora para a reunião.

Três meses depois, eu e o Júnior terminamos. Ele tinha arrumado outra numa das viagens de trabalho. Fiquei arrasada. E foi o Eduardo, que percebeu minha cara no escritório, quem me levou para almoçar e me ouviu chorar por uma hora.

Seis meses depois, eu pedi demissão para trabalhar em outra empresa. No último dia, ele me ajudou a carregar as caixas até o carro.

— Agora você não é mais minha funcionária — ele disse, no estacionamento.

— Não.

— Então eu posso finalmente te convidar para jantar.

O jantar foi num sábado. No fim da noite, no apartamento dele, ele me mostrou o celular. Ele não tinha apagado a mensagem. Tinha guardado num print.

— Você guardou?

— Eu li umas mil vezes. Fiquei seis meses tentando esquecer.

— E agora?

— Agora eu quero saber se era tudo verdade.

Era. Cada detalhe. Inclusive a lingerie, que eu nunca tinha chegado a usar para o Júnior. Naquela noite, ela finalmente teve a estreia que merecia, e o Eduardo descobriu que eu sou uma mulher de palavra.

Hoje a gente é casado. Na festa de casamento, ele fez um discurso e disse que agradecia todos os dias por eu ser péssima com celular. Os convidados não entenderam a piada. Eu fiquei vermelha a noite inteira.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

Leia também

Ver todos →