Ménage de aniversário
O Fernando ia fazer quarenta anos e eu queria dar um presente inesquecível. Relógio ele já tinha. Viagem a gente fazia todo ano. Então eu lembrei de uma conversa de bêbados, anos atrás, em que ele confessou, morrendo de vergonha, a fantasia que tinha desde a adolescência: duas mulheres.
Na época, eu ri e mudei de assunto. Mas a ideia ficou na minha cabeça. E, com o tempo, descobri que ela também me interessava.
Chamei a Bianca para um café. Minha amiga de academia, solteira, bonita, de cabelo cacheado e risada fácil. A gente já tinha brincado sobre isso algumas vezes, de forma meio séria.
— Você está me convidando para um ménage? — ela perguntou, quase cuspindo o café.
— Estou te convidando para ser o presente de quarenta anos do meu marido. Com regras.
— Quais regras?
— Tudo comigo junto. Nada escondido. E se alguém se sentir mal, a gente para na hora.
Ela pensou por uns cinco segundos.
— Eu sempre achei o Fernando bonito, sabia?
— Eu sei. Eu vi você olhando no churrasco.
No dia do aniversário, reservei uma suíte num hotel boutique. Disse para o Fernando que era um jantar romântico só nosso. Quando ele abriu a porta do quarto, encontrou eu e a Bianca sentadas na cama, as duas de lingerie, com uma garrafa de champanhe e um bolo pequeno com uma vela de "40".
Ele ficou parado na porta por uns bons dez segundos, branco, mudo.
— Feliz aniversário, amor — eu disse.
— Isso é... isso é o que eu estou pensando?
— É o que você pensa há vinte e cinco anos — a Bianca respondeu, rindo. — Fecha a porta, aniversariante.
Ele fechou a porta. Cantamos parabéns, as duas, e ele soprou a vela com a mão tremendo. Depois do primeiro gole de champanhe, eu puxei ele pela gravata até a cama e beijei. A Bianca beijou o pescoço dele do outro lado. E o homem de quarenta anos, maduro, executivo, virou um adolescente nervoso e feliz entre nós duas.
Foi divertido, carinhoso e muito mais natural do que eu imaginava. Em nenhum momento eu me senti deixada de lado: ele me procurava com os olhos o tempo todo, e a Bianca também. Em alguns momentos, era ele que assistia, de olhos arregalados, enquanto eu e ela descobríamos uma à outra. Esses foram os momentos em que eu mais senti que o presente era meu também.
De madrugada, os três deitados de qualquer jeito na cama enorme, ele disse, com a voz rouca:
— Esse foi o melhor aniversário da minha vida.
— Ainda bem — a Bianca disse, bocejando. — Porque o meu é daqui a três meses.
O Fernando me olhou. Eu dei de ombros.
— Regras são regras. Presente se retribui.
Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.
