Massagem a quatro mãos
A ideia foi minha, mas quem teve coragem de tirar do papel foi o Bruno. Casados havia oito anos, a gente tinha uma regra: toda fantasia podia ser dita, sem julgamento. E a minha, confessada numa noite de vinho, era ser massageada por dois homens ao mesmo tempo, enquanto ele assistia.
— Só massagem? — ele perguntou, com um sorriso.
— Só massagem. O resto a gente vê.
Ele pesquisou durante semanas e encontrou um espaço de massagem tântrica para casais, discreto, com dois terapeutas que faziam exatamente aquilo: massagem a quatro mãos. Marcamos para um sábado à tarde.
O espaço era lindo: luz baixa, cheiro de sândalo, uma cama larga de massagem no centro e uma poltrona confortável num canto, de frente para a cama. Os terapeutas se chamavam Caio e Renan, educados, sérios, profissionais. Explicaram as regras: tudo com consentimento, o casal podia parar a qualquer momento, e o marido ficaria na poltrona, assistindo.
Deitei de bruços, só com uma toalha. O Bruno sentou na poltrona, com uma taça de vinho na mão. As quatro mãos começaram ao mesmo tempo, quentes de óleo, uma dupla nos ombros, outra nas pernas, em perfeita sincronia, como se fossem um só.
Nunca senti nada parecido. Quatro mãos são o dobro de mãos, e eu não conseguia adivinhar onde viria o próximo toque. Comecei a respirar mais fundo. Depois a suspirar. Depois a gemer baixinho, olhando para o Bruno do outro lado da sala.
Ele me olhava de volta com uma intensidade que eu não via havia anos. A taça de vinho esquecida na mão. A respiração pesada.
— Vira de frente — disse o Caio, com a voz calma.
A toalha ficou para trás. As mãos voltaram a me percorrer, agora de frente, devagar, com uma reverência que me deixava toda arrepiada. O Renan cuidava dos meus pés e das minhas pernas. O Caio, dos meus ombros e do meu colo. E eu só conseguia olhar para o meu marido, que tinha se inclinado para a frente na poltrona, completamente hipnotizado.
— Bruno — chamei, com a voz rouca. — Vem.
Ele levantou na hora. Os terapeutas, profissionais que eram, entenderam o sinal e se afastaram com um sorriso discreto, saindo da sala e fechando a porta devagar. O Bruno tirou a camisa no caminho até a cama.
— Eles foram embora? — ele perguntou, rindo.
— Eles fizeram a parte deles. Agora é a sua.
O resto da tarde foi só nosso. Voltamos para casa em silêncio, de mãos dadas no carro, sorrindo como dois bobos. Na semana seguinte, ele me perguntou qual era a minha próxima fantasia. Eu ainda estou pensando. Mas tenho várias opções.
Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.
