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Lençóis de seda

31 de maio de 2026 3 min de leituraPor BonecaHot
Fantasias

O Gustavo me disse para separar a sexta-feira inteira. Não disse para quê. Às sete da noite, um carro com motorista me pegou em casa e me levou até um hotel de luxo na Avenida Paulista. Na recepção, me entregaram um cartão do quarto e um envelope.

No elevador, abri o envelope. Dentro, um bilhete com a letra dele: "Quarto 1802. Entre, vá até a cama e coloque o que estiver em cima dela. Não tire até eu mandar."

Entrei no quarto. Estava escuro, só com a luz da cidade entrando pela janela enorme. Na cama, de lençóis de seda cor de vinho, havia uma caixa preta. Dentro, uma venda de cetim e outro bilhete: "Coloque a venda e deite. Eu chego em dez minutos."

Meu coração disparou. Coloquei a venda. Deitei nos lençóis de seda, que eram frios e escorregadios contra a pele. E esperei, no escuro absoluto, ouvindo só o barulho distante do trânsito lá embaixo.

A porta abriu. Passos. Silêncio.

— Gustavo?

Ele não respondeu. Eu senti o colchão afundar do meu lado. Senti o perfume dele. Senti algo gelado tocar meu pescoço e dei um pulo. Era uma pedra de gelo, que escorreu devagar até a minha clavícula.

— A regra é simples — ele disse, finalmente, a voz baixa no meu ouvido. — Você não sabe o que vem depois. Só sente.

Depois do gelo, veio uma pena. Leve, passando pelos meus braços, pela minha barriga, me arrepiando inteira. Depois, algo quente: o vapor de uma xícara de chá passando perto da minha pele, sem encostar. Depois, os lábios dele, beijando o lugar onde o gelo tinha passado.

Sem enxergar nada, cada toque era multiplicado por mil. Eu não sabia de onde vinha, nem quando, nem o que seria. A seda do lençol escorregava embaixo de mim. A respiração dele ficava perto e depois sumia. Eu ria, suspirava, prendia a respiração, implorava para ele parar de me torturar, e ele só ria baixinho.

— Ainda não — ele dizia. — Eu prometi uma noite inteira.

Morango com chocolate encostando nos meus lábios. Um gole de champanhe gelado. Os dedos dele desenhando no meu corpo letras que eu tentava adivinhar. Um T. Um E. Um A. Um M. Um O.

— Te amo — eu disse, rindo.

— Acertou. Agora pode tirar a venda.

Eu tirei. O quarto estava cheio de velas que ele tinha acendido sem eu ouvir. Pétalas de rosa no chão. E ele, sem camisa, ajoelhado na cama de seda, me olhando como se eu fosse a mulher mais bonita do mundo.

O resto da noite eu passei de olhos bem abertos. Não queria perder nada.

No dia seguinte, no café da manhã, ele me entregou a venda de cetim de volta, dobrada.

— É sua agora. Para quando você quiser.

Ela fica na gaveta do meu criado-mudo. E de vez em quando, numa sexta-feira qualquer, eu coloco a venda em cima da cama e espero ele chegar.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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