BonecaHot Acompanhantes

Garota de programa por um dia

26 de julho de 2026 3 min de leituraPor BonecaHot
Fantasias

Confessei para o Rafael numa noite de vinho: eu tinha curiosidade de saber como era ser acompanhante. Não de verdade, mas a fantasia. Ser escolhida, ser desejada a ponto de alguém pagar, chegar num hotel sem saber direito o que esperar.

Ele não riu. Ficou em silêncio, pensando.

— E se eu fosse seu cliente? — ele perguntou.

— Como assim?

— A gente combina tudo. Eu te contrato. Você chega no hotel como se nunca tivesse me visto. E a noite é do jeito que você quiser que seja.

Combinamos por mensagem, como se fosse de verdade. Eu criei um nome: Scarlett. Ele marcou o encontro numa suíte de um hotel no centro, sexta-feira, às dez da noite. Pagou o "programa" adiantado: um envelope com dinheiro de verdade, que deixou na minha bolsa, e que eu prometi gastar só comigo.

Na sexta, me arrumei como nunca. Vestido vermelho curtíssimo, salto doze, cabelo escovado, batom escuro, perfume forte. Chamei um táxi e fui para o hotel com o coração disparado, como se fosse mesmo encontrar um estranho.

Bati na porta da suíte. Ele abriu de terno, gravata afrouxada, copo de uísque na mão, e me olhou de cima a baixo como se fosse a primeira vez.

— Scarlett?

— Eu mesma. E você deve ser o... Eduardo.

— Pode entrar.

Ele foi perfeito no papel. Me ofereceu um drinque, perguntou de onde eu era, se fazia aquilo havia muito tempo, se eu gostava. Eu inventei uma história inteira, rindo por dentro, e ele ouvia com uma atenção fingida que me deixava ainda mais à vontade.

— Você é muito mais bonita do que nas fotos — ele disse.

— Você não viu fotos minhas.

— Eu imaginei. E você é mais bonita que a imaginação.

Ele sentou na poltrona e pediu, educadamente, que eu dançasse para ele. Eu nunca tinha feito aquilo. Coloquei uma música no celular, fechei os olhos e me deixei levar. Tirei o vestido vermelho devagar, de costas para ele, olhando por cima do ombro. Ele me olhava com uma fome que eu não via havia anos.

— O que você quer que eu faça? — perguntei, já de lingerie, parada na frente dele.

— Quero que você me diga o que você gosta. Eu paguei. Quero que seja bom para você também.

Ninguém nunca tinha me perguntado aquilo daquele jeito, nem ele, nos sete anos de casamento. Eu disse. Pela primeira vez, eu disse tudo, sem vergonha, porque não era eu, era a Scarlett. E ele obedeceu a cada palavra.

A noite foi longa. De madrugada, deitada no peito dele, a Scarlett foi embora e eu voltei.

— Amor — eu disse —, aquilo que eu falei que gostava...

— Eu anotei tudo. — Ele riu. — A Scarlett pode ir embora. As instruções ficam.

Gastei o dinheiro do envelope numa lingerie nova e num jantar caro para nós dois. A Scarlett aparece de vez em quando. Ela tem uma agenda concorrida. Mas o cliente favorito dela ainda é o mesmo.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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