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Encontro às cegas

3 de agosto de 2026 2 min de leituraPor BonecaHot
Romance

Minha amiga Juliana jurou que tinha o homem perfeito para mim. "Ele é engraçado, inteligente, educado e solteiro. Confia." Eu já tinha ouvido aquilo antes. A última vez, o tal homem perfeito passou o jantar inteiro falando da ex.

Mesmo assim, fui. Restaurante italiano na Vila Nova Conceição, oito da noite, mesa reservada no nome dele: Otávio. Cheguei vinte minutos atrasada, de propósito, para não ficar esperando sozinha.

Ele já estava lá. Levantou quando me viu, puxou a cadeira e sorriu. Cabelo castanho bagunçado, barba curta, camisa azul-clara de linho com as mangas dobradas. Bonito, mas não do tipo que se acha bonito.

— Você deve ser a Priscila. A Juliana disse que você chegaria atrasada.

— Ela disse o quê?

— Que você chegaria vinte minutos atrasada para não parecer ansiosa. — Ele riu. — Eu cheguei trinta minutos adiantado pelo mesmo motivo.

Eu ri de verdade pela primeira vez em semanas.

O jantar foi um espanto. Ele era engraçado de verdade, contava histórias absurdas das viagens que tinha feito, ouvia quando eu falava, fazia perguntas que mostravam que tinha prestado atenção. Dividimos uma massa, um vinho e um tiramisu, e quando o garçom avisou que a cozinha ia fechar, eu me assustei: já passava da meia-noite.

— Eu não quero que essa noite acabe — ele disse, na porta do restaurante, sem rodeio.

— Nem eu.

— Eu moro aqui perto. Tenho um vinho do Porto que estou guardando para uma ocasião especial.

— E essa é uma ocasião especial?

— A mais especial dos últimos dois anos.

O apartamento dele tinha uma varanda com vista para o Parque do Ibirapuera, escuro e silencioso àquela hora. Ele serviu o vinho do Porto em duas tacinhas e sentamos na varanda, os joelhos encostados. O beijo aconteceu naturalmente, como se o jantar inteiro tivesse sido o preparo para aquele momento.

— Isso é muito rápido? — ele perguntou, se afastando um pouco.

— Isso é exatamente no tempo certo.

Ele me levou para dentro pela mão. Foi tudo devagar, carinhoso, com uma intimidade estranha para duas pessoas que tinham se conhecido havia cinco horas. Ele tinha uma forma de me tocar como se estivesse decorando cada parte, e eu me peguei rindo de felicidade no meio de um beijo, coisa que nunca tinha acontecido.

De manhã, ele fez panquecas. Comemos na varanda, eu com uma camiseta dele, olhando o parque acordar.

— Preciso ligar para a Juliana — eu disse.

— Para quê?

— Para dizer que, pela primeira vez, ela acertou.

Eu liguei. Ela gritou tanto no telefone que o Otávio ouviu do outro lado da varanda e caiu na gargalhada. Seis meses depois, a gente foi padrinho do casamento dela.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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