Delivery de pizza
Era sábado à noite, eu estava sozinha em casa, sem plano nenhum, e decidi que merecia uma pizza de calabresa e um vinho barato. Pedi pelo aplicativo e fui tomar banho enquanto esperava. Quarenta minutos, dizia a previsão.
Chegou em vinte.
A campainha tocou quando eu ainda estava com o cabelo cheio de condicionador. Saí do box correndo, me enrolei numa toalha pequena, pequena demais, e fui abrir a porta pingando, segurando a toalha com uma mão.
O entregador era um moreno alto, de capacete na mão, com um sorriso que ficou congelado quando ele me viu.
— Ah... pizza de calabresa? — ele disse, olhando para o teto.
— Isso. Desculpa, eu estava no banho.
— Percebi.
Peguei a caixa com a mão livre. A toalha deslizou um pouco. Ele desviou o olhar de novo, educado, mas não tão rápido assim.
— Preciso pagar na maquininha — eu disse. — Segura a pizza um pouquinho?
Entreguei a caixa de volta para ele e fui buscar o cartão na bolsa, que estava no sofá. Quando me abaixei para pegar a bolsa, a toalha, que nunca colaborou, escorregou de vez. Eu dei um grito, me abaixei para pegar a toalha, e quando levantei, ele estava parado na porta, com a pizza na mão e os olhos arregalados.
— Eu juro que não vi nada — ele disse.
— Você viu tudo.
— Vi. — Ele riu, vermelho. — Desculpa. Vi tudo.
Eu devia ter morrido de vergonha. Mas tinha alguma coisa no jeito dele, no sorriso tímido, nas orelhas vermelhas, que me fez rir também. Enrolei a toalha de novo e apontei para a pizza.
— Quer dividir? É grande demais para uma pessoa só.
— Eu ainda estou trabalhando.
— Quantas entregas faltam?
— Essa era a última do meu turno.
Ele entrou. Deixou o capacete no sofá, a pizza na mesa da sala e ficou de pé, sem saber o que fazer com as mãos. Eu fui até ele, ainda de toalha, ainda com o condicionador no cabelo, e tirei a jaqueta de motoqueiro dele.
— A pizza esfria — ele disse, sem convicção.
— Pizza fria também é gostosa.
A pizza esfriou mesmo. Comemos às duas da manhã, sentados no chão da sala, ele só de cueca, eu com a camiseta da empresa de delivery dele, rindo da situação. Ele contou que se chamava Wesley, que estudava Educação Física e que fazia entregas nos fins de semana para pagar a faculdade.
Dei cinco estrelas para a entrega. E agora peço pizza todo sábado, sempre às nove, sempre de calabresa. Se é outro entregador, eu recebo vestida. Se é o Wesley, eu demoro um pouco mais no banho.
Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.
