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Aula de ioga particular

14 de setembro de 2026 2 min de leituraPor BonecaHot
Encontros

Meu médico disse que eu precisava alongar. "Você tem trinta e oito anos e a coluna de um homem de setenta", ele brincou. Minha irmã indicou uma professora de ioga que dava aula a domicílio. Marquei para as sete da noite de uma quinta, na sala do meu apartamento.

A professora se chamava Isadora. Ruiva, sardenta, corpo de quem pratica ioga desde o berço, roupa de lycra colada da cor da pele. Ela entrou, estendeu dois tapetes no chão da sala, acendeu um incenso e me olhou como quem avalia um caso perdido.

— Vamos começar com respiração. Senta. Fecha os olhos.

Fechei. Ela sentou atrás de mim e colocou as mãos nas minhas costelas.

— Respira aqui. Sente minhas mãos subindo com o ar.

Eu sentia as mãos dela. Sentia também o corpo dela encostado nas minhas costas, a respiração dela na minha nuca. Respirar direito ficou difícil.

Depois vieram as posturas. Cachorro olhando para baixo, guerreiro, triângulo. A cada posição, ela se aproximava para corrigir: um quadril aqui, um ombro ali, uma mão firme na minha lombar empurrando para baixo. Eu suava em bicas, e não era só pelo esforço.

— Você está muito duro — ela disse, e eu engasguei. Ela riu. — A coluna. A coluna está muito dura.

— Claro. A coluna.

— Vamos fazer uma postura em dupla. É ótima para soltar a lombar.

Ela me deitou de costas no tapete e sentou nos meus pés, segurando minhas mãos, puxando meu corpo para cima numa espécie de balanço. Nossos rostos chegavam perto a cada movimento, e se afastavam, e chegavam perto de novo. No quinto balanço, ela não se afastou.

— Essa postura tem nome? — perguntei, com a boca a um palmo da dela.

— Ainda não. Acabei de inventar.

O incenso continuava queimando. A música de meditação continuava tocando no celular dela. E a gente continuou a aula de um jeito que não estava em nenhum livro de ioga, explorando a flexibilidade que ela tinha e a que eu nem sabia que tinha. Ela me mostrou que respirar fundo ajuda em muitas situações. Muitas mesmo.

No fim, deitados nos tapetes, suados, ela ficou olhando para o teto e disse:

— Isso se chama shavasana. A postura do relaxamento total.

— Eu nunca estive tão relaxado na vida.

— Viu? Falei que ioga funciona.

Hoje eu faço aula três vezes por semana. Minha coluna está ótima, segundo o médico. Minha flexibilidade melhorou muito. E a Isadora já inventou mais umas quinze posturas em dupla que ela diz que vai patentear.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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