Aluguel de temporada
Aluguei um apartamento por temporada em Balneário Camboriú, pelo aplicativo, para passar uma semana sozinha depois de um ano exaustivo. A foto mostrava uma varanda com vista para o mar, uma cama king e um ar-condicionado novinho. Perfeito.
O dono, o Rafael, fez questão de me entregar a chave pessoalmente. Chegou de bermuda e camiseta polo, bronzeado de quem mora na praia, e me mostrou o apartamento com um orgulho de quem tinha decorado cada detalhe.
— Qualquer problema, me liga. Moro no prédio ao lado.
Na primeira noite, o ar-condicionado parou de funcionar. Trinta e cinco graus, umidade absurda, e eu deitada na cama king, suando em bicas, sem conseguir dormir. Às onze da noite, liguei para ele, constrangida.
— Desculpa ligar a essa hora. O ar quebrou.
— Já estou indo.
Ele chegou em cinco minutos, de regata e short, com uma caixa de ferramentas. Eu estava de camisola de algodão, fininha, a única roupa possível naquele calor. Ele subiu numa cadeira para mexer no aparelho e eu fiquei embaixo, segurando a lanterna, com a camisola grudando no corpo de tanto suor.
— É o capacitor — ele disse, depois de um tempo. — Só consigo trocar amanhã de manhã. Desculpa mesmo.
— E agora? Eu vou morrer de calor.
Ele desceu da cadeira, suado também, a regata colada no peito.
— Posso abrir a varanda e ligar o ventilador de teto. Ajuda um pouco.
Abrimos a varanda. A brisa do mar entrou, morna, salgada. O ventilador de teto girava devagar. A gente ficou parado no meio da sala, os dois suados, a luz da lua entrando pela varanda.
— Quer uma cerveja? — ele perguntou. — Tem gelada no meu apartamento.
— Traz duas.
Ele trouxe seis. Sentamos na varanda, as pernas apoiadas na grade, ouvindo o mar. O calor não passava. Ele tirou a regata. Eu fingi que não reparei e depois parei de fingir.
— Sabe o que resolve o calor de verdade? — ele disse, na terceira cerveja.
— O quê?
— Mar à meia-noite.
Descemos para a praia, a cinquenta metros do prédio. Ele mergulhou de short, eu mergulhei de camisola. A água era morna e a praia estava vazia. Ele nadou até mim e me puxou pela cintura, e a camisola molhada não escondia mais nada.
— O ar-condicionado vai continuar quebrado amanhã? — perguntei, com os braços em volta do pescoço dele.
— Se você quiser, eu demoro a semana inteira para consertar.
Ele demorou a semana inteira. Na avaliação do aplicativo, eu dei cinco estrelas e escrevi: "Anfitrião muito atencioso. O ar-condicionado quebrou, mas o atendimento compensou."
Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.
