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Aluguel de temporada

15 de agosto de 2026 2 min de leituraPor BonecaHot
Fantasias

Aluguei um apartamento por temporada em Balneário Camboriú, pelo aplicativo, para passar uma semana sozinha depois de um ano exaustivo. A foto mostrava uma varanda com vista para o mar, uma cama king e um ar-condicionado novinho. Perfeito.

O dono, o Rafael, fez questão de me entregar a chave pessoalmente. Chegou de bermuda e camiseta polo, bronzeado de quem mora na praia, e me mostrou o apartamento com um orgulho de quem tinha decorado cada detalhe.

— Qualquer problema, me liga. Moro no prédio ao lado.

Na primeira noite, o ar-condicionado parou de funcionar. Trinta e cinco graus, umidade absurda, e eu deitada na cama king, suando em bicas, sem conseguir dormir. Às onze da noite, liguei para ele, constrangida.

— Desculpa ligar a essa hora. O ar quebrou.

— Já estou indo.

Ele chegou em cinco minutos, de regata e short, com uma caixa de ferramentas. Eu estava de camisola de algodão, fininha, a única roupa possível naquele calor. Ele subiu numa cadeira para mexer no aparelho e eu fiquei embaixo, segurando a lanterna, com a camisola grudando no corpo de tanto suor.

— É o capacitor — ele disse, depois de um tempo. — Só consigo trocar amanhã de manhã. Desculpa mesmo.

— E agora? Eu vou morrer de calor.

Ele desceu da cadeira, suado também, a regata colada no peito.

— Posso abrir a varanda e ligar o ventilador de teto. Ajuda um pouco.

Abrimos a varanda. A brisa do mar entrou, morna, salgada. O ventilador de teto girava devagar. A gente ficou parado no meio da sala, os dois suados, a luz da lua entrando pela varanda.

— Quer uma cerveja? — ele perguntou. — Tem gelada no meu apartamento.

— Traz duas.

Ele trouxe seis. Sentamos na varanda, as pernas apoiadas na grade, ouvindo o mar. O calor não passava. Ele tirou a regata. Eu fingi que não reparei e depois parei de fingir.

— Sabe o que resolve o calor de verdade? — ele disse, na terceira cerveja.

— O quê?

— Mar à meia-noite.

Descemos para a praia, a cinquenta metros do prédio. Ele mergulhou de short, eu mergulhei de camisola. A água era morna e a praia estava vazia. Ele nadou até mim e me puxou pela cintura, e a camisola molhada não escondia mais nada.

— O ar-condicionado vai continuar quebrado amanhã? — perguntei, com os braços em volta do pescoço dele.

— Se você quiser, eu demoro a semana inteira para consertar.

Ele demorou a semana inteira. Na avaliação do aplicativo, eu dei cinco estrelas e escrevi: "Anfitrião muito atencioso. O ar-condicionado quebrou, mas o atendimento compensou."

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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