A sauna do clube
O clube era antigo, frequentado por famílias tradicionais, e a sauna mista ficava sempre vazia no fim da tarde de domingo. Eu e o Tiago íamos lá por causa disso. Era nosso momento: casados havia quatro anos, uma hora de silêncio, vapor e conversa fiada.
Naquele domingo, porém, tinha outro casal lá dentro. Ela loira, de biquíni branco, ele moreno, de bermuda, os dois mais ou menos da nossa idade. Cumprimentamos com a cabeça e sentamos no banco de madeira do outro lado.
O vapor era tanto que mal dava para ver o rosto deles. Mas dava para ver que ela estava sentada no colo dele, e que ele passava a mão pelas costas dela devagar, sem se importar muito com a nossa presença.
O Tiago me olhou. Eu olhei para o Tiago. Ninguém disse nada.
— Primeira vez aqui? — a loira perguntou, depois de uns minutos.
— Não. A gente vem todo domingo — respondi.
— A gente também começou a vir. Achamos que ficava sempre vazio.
— E fica — o Tiago disse. — Normalmente.
Ela riu, uma risada rouca, e se encostou mais no marido. O vapor subia em ondas. Eu senti a mão do Tiago apertar minha coxa. Olhei para ele e vi que ele estava olhando para o outro casal, e que eles estavam olhando para nós.
— Vocês se incomodam? — o moreno perguntou, com a voz calma, enquanto beijava o ombro da mulher.
— Com o quê? — perguntei, já sabendo.
— Se a gente não se comportar muito.
O Tiago apertou minha coxa de novo, uma pergunta silenciosa. Eu respondi sentando no colo dele, exatamente como a loira estava no colo do marido.
— Só se vocês não se incomodarem também.
A sauna, que antes era o nosso refúgio de silêncio, virou outra coisa. Cada casal no seu banco, cada um no seu canto, mas olhando um para o outro através do vapor, como se fosse um espelho embaçado. Eu nunca tinha sido olhada por desconhecidos daquele jeito, e nunca tinha olhado ninguém assim. O calor da sauna era o de menos.
Quando a porta rangeu, os quatro congelaram. Era só o vento. Rimos todos, nervosos, e voltamos ao que estávamos fazendo. Ninguém trocou de banco. Ninguém precisou.
Saímos da sauna com a pele vermelha e as pernas bambas. Na saída, a loira piscou para mim:
— Domingo que vem, mesmo horário?
Fazia quatro anos que eu e o Tiago íamos ao clube todo domingo. Nunca mais fomos sozinhos.
Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.
