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A professora de francês

7 de agosto de 2026 2 min de leituraPor BonecaHot
Fantasias

Eu ia para Paris a trabalho em três meses e não falava uma palavra de francês além de "croissant". Contratei uma professora particular que dava aula na casa dela, um apartamento antigo em Higienópolis cheio de livros e plantas.

A professora se chamava Céline. Francesa de Lyon, morava no Brasil havia sete anos, cinquenta anos muito bem vividos, cabelo grisalho cortado curto, batom vermelho e um sotaque que transformava qualquer frase em poesia. Na primeira aula, ela me serviu um café e disse:

— O francês é uma língua sensual. Não se fala com a garganta, se fala com a boca. Repita: bonjour.

— Bonjour.

— Não. Mais devagar. Sinta a palavra nos lábios.

Eu repeti umas dez vezes. Ela ficava olhando a minha boca, corrigindo a posição dos lábios com o dedo, rindo da minha pronúncia horrível.

As aulas eram duas vezes por semana, e eu comecei a esperar por elas com uma ansiedade que não tinha nada a ver com Paris. Ela me ensinava vocabulário de restaurante, de hotel, de reunião de negócios. Mas sempre, no fim da aula, me ensinava uma palavra "de presente", como ela dizia.

— Hoje a palavra é frisson — ela disse, numa quinta à noite. — Sabe o que significa?

— Arrepio?

— Mais do que isso. É o arrepio de quando alguém que você deseja chega perto demais.

Ela chegou perto demais. Sentada ao meu lado no sofá, o livro de exercícios aberto nos nossos joelhos, ela encostou a boca no meu ouvido e repetiu, bem devagar: "frisson". Eu senti exatamente o que a palavra significava.

— Na próxima aula — ela disse, se afastando com um sorriso —, eu te ensino as palavras que não estão no livro.

Na aula seguinte, ela abriu a porta de robe de seda verde e taça de vinho na mão.

— Hoje a aula vai ser diferente. Imersão total. Só falamos em francês.

— Mas eu não sei falar francês.

— Então vai ter que aprender pelos gestos.

Ela me levou pela mão até o quarto, falando o tempo todo em francês, palavras que eu não entendia, mas que pelo tom de voz eu entendia perfeitamente. Me ensinou a dizer "embrasse-moi" e eu obedeci antes de saber o que era. Me ensinou "encore" e eu repeti muitas vezes naquela noite, com a pronúncia cada vez melhor.

Fui para Paris três meses depois. Meus colegas ficaram impressionados com o meu francês. "Você aprendeu muito rápido", disseram. O vocabulário de reuniões era razoável. Mas, nos restaurantes, eu fazia todo mundo rir pedindo o vinho com aquele sotaque cheio de frisson.

Quando voltei, a Céline perguntou como tinha sido.

— Faltou praticar uma palavra — eu disse.

— Qual?

— Encore.

As aulas continuam. Agora eu estou aprendendo italiano também. A Céline diz que também é uma língua muito sensual.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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