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A personal shopper

22 de julho de 2026 3 min de leituraPor BonecaHot
Relatos

Depois do divórcio, minha irmã disse que eu precisava mudar o visual. "Você se veste igual a um contador de 1995", ela disse, e eu era contador, e as minhas roupas eram de 1995 mesmo. Ela me deu de presente uma tarde com uma personal shopper, uma consultora de moda que te leva às lojas e escolhe tudo por você.

A consultora se chamava Lívia. Cabelo ruivo liso até os ombros, calça de alfaiataria preta, blusa de seda creme e um olhar crítico que me analisou da cabeça aos pés em três segundos.

— Bom, temos muito trabalho pela frente — ela disse, sem rodeio.

Passamos a tarde num shopping de luxo. Ela me fazia experimentar calças, camisas, paletós, sapatos. Entrava e saía do provador com pilhas de roupa, dava opinião sincera, às vezes cruel. "Essa cor te deixa doente." "Essa calça está larga demais, você tem pernas bonitas, mostra." Eu comecei a gostar daquilo.

Na última loja, uma de moda masculina italiana, ela escolheu uma calça social justa e uma camisa preta de algodão egípcio.

— Prova essa. Acho que é a escolhida.

Entrei no provador, um cubículo grande com espelhos dos três lados e uma cortina de veludo. Vesti a calça, a camisa, e me olhei. Pela primeira vez em anos, eu me achei bonito.

— Posso entrar? — ela perguntou do lado de fora.

— Pode.

Ela entrou e fechou a cortina atrás dela. O provador ficou pequeno de repente. Ela me olhou pelo espelho, depois de frente, depois pelas costas.

— A calça está perfeita — disse, passando a mão no meu quadril para ajustar o caimento. — Mas a camisa precisa ficar mais aberta.

Ela abriu dois botões da camisa, devagar, os dedos encostando no meu peito. Depois ficou parada, com as mãos ainda na gola, me olhando de perto.

— Melhor? — perguntei.

— Muito melhor. — A voz dela ficou mais baixa. — Na verdade, eu fiquei a tarde inteira querendo fazer isso.

— Abrir os botões?

— Abrir todos.

Ela abriu os outros. Um por um. Os espelhos dos três lados mostravam nós dois de todos os ângulos, e eu nunca tinha me visto desse jeito: desejado. Ela me beijou devagar, com a mesma precisão com que escolhia as roupas, e eu puxei a blusa de seda dela para fora da calça de alfaiataria.

— Tem gente na loja — eu sussurrei.

— A vendedora é minha amiga. Ela sabe que eu demoro nos provadores.

A vendedora era mesmo amiga dela. Ninguém abriu a cortina de veludo. Os espelhos viram tudo, de todos os ângulos, e eu descobri que a calça italiana justa tinha um botão difícil de abrir com pressa.

Saí da loja com seis sacolas de roupa nova e uma consultora de moda pendurada no meu braço. Minha irmã ficou impressionada com o resultado. "Você está outro homem", ela disse. Estava mesmo. E a Lívia continua escolhendo minhas roupas. Agora ela também escolhe o que eu tiro.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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