A massagista da praia
Eu estava de férias em Porto de Galinhas, sozinho, depois de um ano pesado de trabalho. Na terceira tarde, vi uma tenda branca na areia com uma plaquinha: "Massagem relaxante — 30 minutos". Pensei: por que não?
A massagista se chamava Jéssica. Morena de sol, cabelo cacheado preso no alto, biquíni verde e uma canga amarrada na cintura. Ela pediu que eu deitasse de bruços na maca, dentro da tenda, com as cortinas de tecido fino balançando com o vento.
— Primeira vez em Porto? — ela perguntou, esfregando o óleo de coco nas mãos.
— Primeira. E já não quero ir embora.
— Espera a massagem acabar para dizer isso.
As mãos dela eram uma coisa de outro mundo. Fortes nos ombros, suaves nas costas, demoradas na lombar. O óleo de coco esquentava com o sol que atravessava o tecido da tenda, e o barulho do mar ali do lado completava o cenário. Eu quase dormi. Quase.
— Vira de frente — ela pediu.
Virei, e percebi que ela me olhava de um jeito diferente. Ela começou pelos meus ombros, de frente para mim, e o biquíni verde ficou bem na altura dos meus olhos. Desceu pelo peito, pela barriga, e parou no elástico da sunga.
— Os trinta minutos acabaram — ela disse, sem tirar a mão. — Mas eu não tenho mais cliente hoje.
— Quanto custa a hora extra?
Ela riu e se inclinou sobre mim, com o cabelo cacheado roçando no meu rosto.
— Hora extra eu não cobro. Hora extra eu escolho para quem dou.
Ela fechou as cortinas da tenda, uma por uma, com um nó. O sol continuava atravessando o tecido, deixando tudo dourado lá dentro. A maca de massagem não foi feita para duas pessoas, e a gente descobriu isso da forma mais divertida possível, rindo baixinho para os banhistas lá fora não ouvirem. O óleo de coco virou parte da brincadeira, e a areia, que entrou por todo lado, também.
Saímos da tenda no fim da tarde, quando a maré já tinha subido e a praia estava quase vazia. Ela me levou para ver o pôr do sol nas piscinas naturais, de mãos dadas, como se a gente se conhecesse havia muito tempo.
Fiquei mais quatro dias em Porto de Galinhas. Fiz massagem todos os dias. Sempre a última da tarde, sempre com hora extra. Quando voltei para São Paulo, meu chefe disse que eu parecia outra pessoa. Ele tinha razão. Ninguém volta o mesmo de uma tenda branca à beira-mar.
Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.
