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A massagista

17 de abril de 2026 3 min de leituraPor BonecaHot
Fantasias

O Rodrigo chegou em casa com um folheto na mão e uma cara de quem tinha uma ideia.

— Workshop de massagem tântrica para casais — ele leu. — Sábado, das duas às seis. Numa casa em Itaipava.

— Tântrica? Isso não é meio...

— Meio o quê?

— Sei lá. Hippie.

— É sobre conexão. Sobre o toque. Sobre desacelerar. A gente precisa disso.

A gente precisava. Doze anos de casados, dois filhos, a correria de sempre. O toque tinha virado pressa. E eu, apesar de rir, aceitei.

A casa em Itaipava era cercada de mata, com uma sala enorme de piso de madeira, almofadas no chão, incenso e música suave. Eram seis casais. A instrutora, uma mulher de uns cinquenta anos chamada Shanti, de cabelo branco comprido e voz tranquila, explicou as regras.

— Aqui ninguém tira a roupa. Ninguém é obrigado a nada. Vocês vão aprender a tocar o parceiro com presença. Sem pressa. Sem objetivo. A massagem é o caminho, não o destino.

A primeira hora foi de respiração. Sentados de frente um para o outro, olhando nos olhos, respirando juntos. Eu nunca tinha olhado o Rodrigo nos olhos por tanto tempo. Dez minutos sem desviar. No começo, eu ri. Depois fiquei com vontade de chorar. Depois senti uma coisa que não sentia havia anos.

Na segunda hora, a Shanti ensinou os toques. Nas mãos, nos braços, nas costas, no rosto, nos pés. Devagar, muito devagar, com óleo morno de amêndoas. O Rodrigo passava as mãos nas minhas costas como se estivesse desenhando, e eu sentia cada centímetro acordar.

— Respirem juntos — a Shanti dizia. — O toque segue a respiração.

Na terceira hora, eu estava deitada de bruços numa almofada, de roupa, e o Rodrigo massageava os meus pés com uma calma que eu nunca tinha visto nele. Eu estava com o corpo inteiro arrepiado, respirando fundo, e as pernas tremiam. Era a coisa mais íntima e ao mesmo tempo mais inocente que eu já tinha feito.

— A lição de casa — a Shanti disse, no final — é repetir tudo isso em casa. Sem roupa. Sem pressa. E sem objetivo. Se alguma coisa acontecer, deixem acontecer. Mas não corram para chegar lá.

No carro, voltando, a gente não falou nada. Ele segurava a minha mão no câmbio. Eu olhava a estrada e sentia o corpo inteiro ainda vibrando.

Em casa, as crianças estavam na casa da avó. O Rodrigo acendeu umas velas no quarto e pegou o óleo de amêndoas que tinha comprado no workshop.

— Lição de casa? — ele perguntou.

— Lição de casa.

A gente seguiu as instruções à risca. Sem pressa. Sem objetivo. Respirando juntos. Ele me massageou por uma hora inteira, olhando nos meus olhos, e depois eu massageei ele. E quando alguma coisa aconteceu, a gente deixou acontecer, devagar, sem correr, como se tivesse o resto da vida. Foi a noite mais intensa dos nossos doze anos.

— Por que a gente nunca fez isso antes? — eu perguntei, depois, olhando o teto.

— Porque a gente sempre teve pressa.

Hoje o óleo de amêndoas fica no criado-mudo. Uma vez por semana, as crianças vão dormir na avó. E a gente faz a lição de casa. Sempre sem pressa.

Obra de ficção para maiores de 18 anos. Todos os personagens são adultos. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

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